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As Causas da Perseguição No Início do Cristianismo

Cristão Perseguidos por RomaO cristianismo tem sempre enfrentado problemas internos e externos em todos os períodos de sua história. A igreja teve de enfrentar o sério problema interno da heresia e resolvê-lo, entre 100 e 313, além de ter de resolver, ao mesmo tempo, o problema externo da perseguição movida pelo Estado Romano.

Os judeus foram os primeiros perseguidores dos cristãos (At 7; 8.13), principalmente de seus líderes: Estevão (At 7.54-8.2), Tiago e Pedro (At 12) e Paulo (At 18.12-17; 21.26-31; 24.1-9).

Muitos têm uma ideia confusa acerca do número, duração, escopo e intensidade das perseguições que a Igreja sofreu. Antes de 250, a perseguição era predominantemente local, esporádica e geralmente mais um produto da ação popular do que resultado de uma política definida. Após essa data, porém, a perseguição se tornou às vezes uma estratégia consciente do governo imperial romano e, por isso, ampla e violenta. Durante esse tempo, a ideia de Tertuliano de que o “sangue dos cristãos é a semente” (da Igreja) se transformou numa terrível realidade para muitos cristãos. A Igreja continuou a se desenvolver apesar disso, ou talvez parcialmente por isso, até o período em que conseguiu a liberdade de culto no governo de Constantino.

I. AS CAUSAS DA PERSEGUIÇÃO.

A. Política
Enquanto era vista pelas autoridades como parte do Judaísmo, que era uma religio lícita, isto é, uma seita legal, a Igreja sofreu pouco. Mas assim que o cristianismo foi distinguido do Judaísmo como seita separada e pôde ser classificado como sociedade secreta, ele recebeu a interdição do Estado Romano, que não admitia nenhum rival à obediência por parte de seus súditos. Tornou-se então uma religião ilegal, considerado ameaça à segurança do Estado Romano. O Estado era o supremo bem em uma união dele com a religião. Não poderia haver religiões particulares.

A religião somente seria tolerada se contribuísse para a estabilidade do Estado. Visto que a religião cristã, em rápido crescimento, exigia exclusiva lealdade moral e espiritual daqueles que aceitavam a Cristo, quando era preciso escolher entre a lealdade a Cristo e a lealdade a César, este era colocado em segundo plano. Os líderes romanos, empenhados em preservar a cultura clássica dentro da estrutura do império estatal, consideravam isso uma deslealdade para com o Estado, e achavam que os cristãos estavam tentando fundar um estado dentro do Estado. Ou o Estado universal ou a Igreja universal, o Corpo de Cristo, teria de ceder. A soberania exclusiva de Cristo confrontou-se com as reivindicações de César à soberania exclusiva.

Muitas práticas cristãs pareciam confirmar as suspeitas das autoridades romanas sobre a deslealdade básica dos cristãos em relação ao Estado. Os cristãos se recusavam terminantemente a oferecer incenso nos altares devotados ao culto ao imperador romano, com quem o bem estar do Estado estava indissociavelmente associado na mente do povo durante o período imperial, entre César Augusto e Constantino. Quem sacrificasse nesses altares, podia praticar uma segunda religião particular. Os cristãos não faziam esses sacrifícios e eram, consequentemente, tomados como desleais. Os cristãos também realizavam a maioria de suas reuniões à noite e em segredo. Para as autoridades romanas, isso só podia significar que eles estavam tramando uma conspiração contra a segurança do Estado. Os cristãos não serviam ao exército até o ano 313.

B. Religiosas
Além da causa política básica para a perseguição, havia uma razão religiosa. A religião romana era mecânica e externa. Tinha seus altares, ídolos, sacerdotes, cânticos processionais, ritos e práticas que o povo podia ver. Os romanos não se opunham a acrescentar um novo ídolo ao grupo do Panteão, desde que a divindade se subordinasse às pretensões de primazia feitas pela religião do Estado. Os cristãos não tinham ídolos e no seu culto nada havia para ser visto. Seu culto era espiritual e interno. Quando se punham de pé e oravam de olhos fechados, suas orações não eram dirigidas a nenhum objeto visível. Para as autoridades romanas, acostumadas às manifestações materiais simbólicas de seu deus, isso nada mais era do que ateísmo.

O sigilo dos encontros dos cristãos também suscitou ataques morais contra eles. Havia boatos de que eles praticavam incesto, canibalismo e práticas desumanas. O entendimento equivocado sobre o significado de “comer e beber” os elementos que representavam o corpo e o sangue de Cristo geraram rumores de que os cristãos matavam e comiam crianças em sacrifício ao seu Deus. A expressão “beijo da paz” foi logo transformada em acusações de incesto e outras formas de conduta imoral que causavam repugnância à sofisticada mente romana. Pouca diferença fazia se esses boatos eram verdadeiros ou não.

C. Sociais
Problemas sociais também contribuíram para o início da perseguição romana à igreja. Os Cristãos, que exerciam grande atração sobre as classes pobres e escravas, eram odiados pelos influentes líderes aristocráticos da sociedade. Esses líderes os viam com desprezo, mas temiam sua influência sobre as classes pobres. Os cristãos defendiam a igualdade entre todos os homens (Cl 3.11), enquanto insistia na estrutura aristocrática da sociedade, em que uns poucos privilegiados eram servidos pelos pobres e pelos escravos. Os cristãos se mantinham afastados dos ajuntamentos pagãos dos templos, teatros e lugares de recreação. Essa não aceitação dos modelos sociais vigentes trouxe sobre eles a antipatia que os inconformistas sempre enfrentam em qualquer época da história. A pureza de sua vida era uma reprovação silenciosa às vidas escandalosas levadas pelas pessoas da classe alta. O fato de os cristãos recusarem os padrões sociais existentes levou os pagãos a acreditarem que eles eram um perigo para a sociedade, classificando-os como pessoas que “odiavam a humanidade” e que poderiam incitar as massas à revolta.

D. Econômicas
Não se pode esquecer que questões econômicas também influenciaram na perseguição aos cristãos. A oposição que Paulo sofreu por parte dos fabricantes de ídolos em Éfeso, mais preocupados com o perigo que o cristianismo representava para seus negócios do que com a possível ameaça ao culto de Diana (At 19.2), é uma chave para a compreensão da reação daqueles que tinham direitos adquiridos e cujo ganha pão estava ameaçado pelo avanço do cristianismo. Sacerdotes, fabricantes de ídolos videntes, pintores, arquitetos e escultores dificilmente se entusiasmaram com uma religião que ameaçasse seus meios de sustento.


Tudo isso cooperou para justificar a perseguição aos cristãos na mente das autoridades. Nem todas as razões estiveram presentes em cada caso, mas a pretensão de exclusividade por parte da religião cristã sobre a vida do crente conflitava com o sincretismo pagão e sua exigência de lealdade exclusiva ao Estado Romano na maioria dos casos. A perseguição foi uma consequência natural da política imperial de preservar a integridade do Estado Romano. O cristianismo não era uma religião permitida, com direito legal de existência. Mártires e apologistas foram a sua resposta ao povo, ao Estado e aos escritores pagãos.

Assista o video abaixo e vivencie um pouco das aflições sofridas pelos nossos irmãos do passado!

Posted by Comunidade Evangélica de Oração on 17:39. Filed under , . You can follow any responses to this entry through the RSS 2.0. Feel free to leave a response

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